Intercâmbio para pessoas com deficiência: é possível?

ago 28, 2017

A AFS se prepara para oferecer intercâmbio para pessoas com deficiência, e o aplicativo guiaderodas será usado para avaliação da acessibilidade de locais em centenas de cidades.

Uma ideia quando é boa, é boa para todos. Se o intercâmbio de estudantes é uma experiência boa, por que não estendê-la para as pessoas com deficiência (pcd)?

É essa a ideia que está na base do Projeto (d) Eficientes, criado pela AFS Intercultura Brasil, cuja meta é possibilitar a inclusão de pessoas com deficiência nos benefícios da educação internacional.

O projeto foi idealizado e criado por Rodrigo Buratti Castanhas, pcd de nascença devido à triplegia espástica, junto com o Sr. Tachi Cazal, um dos cânones do AFS Internacional.  Será lançado pela AFS BRASIL com intuito de também ser implantado internacionalmente.

Fiel a seu objetivo de proporcionar uma vida mais autônoma e inclusiva para todos, o guiaderodas se engajou no projeto e seu aplicativo será utilizado pelos voluntários da AFS para avaliar locais em suas cidades, de forma a facilitar o planejamento das viagens dos intercambistas.

Intercâmbio para pessoas com deficiência
Intercâmbio para pessoas com deficiência

AFS Intercultura Brasil

A AFS é uma organização de educação intercultural com presença mundial em mais de 60 países. Oferece programas internacionais de intercâmbio, estudo no exterior e voluntariado.

Os participantes da rede AFS podem ser os intercambistas (jovens ou adultos), as famílias que os hospedam ou as escolas parceiras que os recebem. A força motriz dos programas AFS são os voluntários locais, que acompanham a experiência do intercambista, da família hospedeira e da escola.

Intercâmbio para pessoas com deficiência

Com o propósito de tornar a experiência de intercâmbio entre diferentes culturas cada vez mais inclusiva, surgiu o Projeto (d) Eficientes. O projeto prepara os participantes da rede AFS para ampliar as oportunidades de desenvolvimento acadêmico para pessoas com deficiência.

A preparação da rede AFS se dará através da divulgação do projeto entre voluntários e parceiros do AFS, que incluem ex-participantes, escolas, patrocinadores e a rede AFS Internacional. Também será feito o recrutamento de novos voluntários com deficiência e de famílias com pessoas com deficiência que desejem hospedar intercambistas, além de patrocinadores.

O projeto se propõe ainda a fomentar a discussão entre os voluntários a respeito do tema, promover a observação da acessibilidade existente em cada cidade em que existe um comitê ativo da AFS e envolver os voluntários no esforço de mapear, por meio de aplicativos para smartphones, os dados sobre locais com acessibilidade, contribuindo com cada comunidade de forma positiva e permanente.

Mapeamento de locais acessíveis

O intercâmbio para pessoas com deficiência é viável, porém o planejamento e a organização da viagem devem ser muito cuidadosos e detalhados.

Em condições normais, sair de casa já requer planejamento: é preciso saber como será o transporte, se será possível entrar no local, se será possível usar o banheiro.

Quando se trata de ir para outro país, utilizando um idioma que muitas vezes a pessoa não domina, o planejamento torna-se ainda mais crucial, como mostra Laura Martins, cadeirante que realizou um intercâmbio no exterior e relatou sua experiência.

Como é a acessibilidade da escola? Tem elevadores, rampas, banheiros acessíveis? Existem degraus ou algum outro tipo de barreira que impeça a pessoa com deficiência de participar das atividades?

Além da escola, é necessário avaliar a adequação do local de hospedagem, seja uma residência estudantil, familiar ou hotel. O mesmo deve ser considerado para os meios de transporte e para o percurso entre o local de hospedagem até a escola.

E (claro!) o dia a dia de um intercambista não é só de estudos, há também o convívio social. Como são os bares, restaurantes, teatros, bibliotecas públicas?

Justamente para mapear a acessibilidade de todos esses locais é que o aplicativo guiaderodas será usado pelos voluntários.

O aplicativo guiaderodas permite avaliar, em poucos segundos, a acessibilidade de qualquer estabelecimento, como escolas, restaurantes, bares, hotéis ou lojas. A avaliação pode ser feita por qualquer pessoa e é útil não só para cadeirantes, mas também para pessoas com mobilidade reduzida permanente ou temporária, ou que circulam com carrinhos de bebês.

A iniciativa da AFS Intercultura Brasil é muito relevante e abrirá novas possibilidades de educação e desenvolvimento acadêmico através do intercâmbio para pessoas com deficiência.

Faça a instalação do aplicativo guiaderodas

Comentários:

2 Comentários

  1. Fatima Burin

    Como voluntária do AFS, estou orgulhosa deste Projeto e estou na torcida para que muitas pessoas possam participar de um intercâmbio e usufruir do que lhe é de direito como cidadâo. Com certeza este Projeto é um grande passo na abertura de portas para as pessoas que se incluem e que querem ter acesso. Parabéns AFS, Rodrigo e Tachi.

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