Conheça um pouco mais a história da Av. Paulista

maio 30, 2019

Avenida Paulista é uma das avenidas mais avaliadas no Aplicativo Guiaderodas

A mais paulistana de todas as avenidas representa a cidade no nome, na história, na economia. A Paulista recebe diariamente um público muito diversificado: nela passam milhares de pessoas a caminho de casa, do trabalho, do lazer, do estudo.

Numa cidade cheia de colinas e vales, a Paulista é plana, com calçadas largas e nela transita todo tipo de transporte: carro, ônibus, metrô, bicicleta, patinete. Recebe todo mundo, sem distinção.

É também uma das ruas com maior número de avaliações no aplicativo Guiaderodas: bom para quem procura um lugar com boa acessibilidade para ir na Paulista. Para ver os locais, digite o que está procurando na barra de busca do aplicativo, por exemplo:

– lugar para comer na paulista

– cinema na paulista

E você vai ver os lugares que já foram avaliados, ou vai poder avaliar algum estabelecimento.

Mas você sabia que esse local tão movimentado já foi um caminho de animais? Sua história representa bem o ritmo frenético de São Paulo: em algumas décadas seu perfil foi – e continua – se modificando, tal como um caleidoscópio que não para de girar.

Conheça um pouco da história dessa avenida tão representativa da capital paulista.

Caaguaçu, a “Mata Grande”

O morro onde foi construída a Paulista era chamado pelos índios de Caaguaçu, “mata grande”, devido ao grande número de árvores de grande porte que havia na região. Era passagem para os viajantes que iam do centro em direção à aldeia de Pinheiros.

As araucárias, hoje tão representativas da Região Sul do Brasil, eram comuns também no Estado de São Paulo. Atualmente, as árvores altas que sobressaíam no Caaguaçu sobreviveram apenas no nome do rio e do bairro de Pinheiros.

Fragmentos dessa “mata grande” resistem no Parque Trianon, com jequitibás e jatobás, e no Parque Prefeito Mario Covas.

A Aldeia de Anchieta e Tibiriçá

A colina onde nasceu a cidade de São Paulo. Ao fundo, o Caaguaçu.

Já ouviu falar no Espigão da Paulista?

Numa cidade tão cheia de subidas e descidas, a Av. Paulista é plana em toda a sua extensão de quase 3 km. E por que isso acontece?

Porque a avenida é construída na parte mais alta de um morro, o chamado “Espigão da Paulista”, de um maciço que começa na Lapa e vai muito além do Jabaquara.


A Paulista foi construída num espigão – a parte mais elevada de uma serra.

Você sabia que nesse espigão, ainda hoje, existem nascentes de rios? Pois é, numa região tão urbanizada, é de surpreender que nascentes tenham sobrevivido. Mas elas existem e subsistem, ainda que os rios e córregos que alimentam corram pelos subterrâneos da cidade, devidamente canalizados e cobertos.

Esses cursos de água correm para ambos os lados do espigão, e vão alimentar o Rio Pinheiros, de um lado, e o Tamanduateí que desemboca no Tietê, do outro lado.

No começo era um caminho de bois

No alto do Caaguaçu havia trilhas por onde eram transportados bois a caminho dos matadouros próximos ao centro da cidade.

Um desses caminhos começava no centro e levava até Pinheiros, seguindo para Sorocaba. Esse caminho corresponde atualmente à Rua da Consolação e sua continuação, a Av. Rebouças, que vai até o Rio Pinheiros. Do outro lado do rio começa a Rodovia Raposo Tavares, que continua em direção a Sorocaba.

A base da Paulista foi uma trilha sobre o espigão para transporte de animais para os matadouros.

Outra estrada importante era o Caminho para Santo Amaro, que era um município independente até 1935, quando foi incorporado a São Paulo. Esse caminho atualmente corresponde à Av. Brig. Luis Antônio e continua pela Av. Santo Amaro.

Entre esses dois caminhos havia o Caminho da Real Grandeza, que originou o traçado da Av Paulista. O projeto foi criado por Joaquim Eugênio de Lima, que atualmente dá nome a uma alameda transversal à Av. Paulista. O projetista era uruguaio casado com uma brasileira.

Nasce a Paulista

A partir de meados do século XIX a antiga cidade provinciana e caipira começou a se sofisticar. A via construída por Eugênio de Lima refletia o crescimento econômico da cidade: era uma avenida muito larga, inspirada nas grandes avenidas das cidades europeias, arborizada e com espaço para bonde, carruagens, cavaleiros e calçadas para pedestres.

Inauguração em 1891 – À esquerda transitavam bondes; no centro carruagens, e na direita, cavaleiros.

Foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1891 sem nenhuma construção, mas com os grandes terrenos já demarcados. O objetivo era criar uma região sofisticada para atrair um público de alto poder aquisitivo.

O primeiro palacete foi construído pelo dinamarquês Adam von Bülow, um dos acionistas da Companhia Antarctica Paulista.

Foto1: Primeiro palacete da Paulista, construído por Adam von Bülow em 1895.
Foto2: Paulista 1907 – vista da Consolação para o Paraíso. À direita, os descampados que desciam em direção a Pinheiros.

A Av. Paulista refletia a grande diversidade e velocidade com que São Paulo se modificava. Sobrenomes quatrocentões dividiam a avenida com imigrantes de diversas origens. O dinheiro antigo vinha das fazendas de café, e o novo se originava no comércio e na nascente indústria.

Rapidamente ocupada por palacetes e casarões, a Paulista teve um apogeu que durou até a década de 50, quando começou sua verticalização. Vão-se as casas, sobem os prédios.

Paulista em 1952 – até essa época a avenida manteve seu perfil residencial.

A avenida Paulista foi a primeira via pública asfaltada de São Paulo, em 1909. Mas seu perfil residencial não resistiu quando a economia da cidade começou a levar comércio e serviços para além do centro histórico.

Com a especulação imobiliária das décadas de 60 e 70, houve na avenida um “bota-abaixo” de grandes proporções: vários dos belos casarões que ainda restavam foram demolidos rapidamente por seus proprietários, para não correrem o risco de terem seus imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico.

Durante alguns anos a Paulista foi o centro financeiro e comercial da cidade, quando então começou a dividir espaço com a Berrini. Mas dificilmente alguma outra avenida vai ocupar o lugar da Av. Paulista como símbolo da cidade no coração dos paulistanos.

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Referências
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São Paulo e a Av. Paulista – Janela da História

Espigão da Paulista

Fotografias de Guilherme Gaensly

Aldeia de Tibiriçá

Caaguaçu: Verde fica apenas no endereço

Uma história do Morro Caaguaçu ao Morro do Chá – Avenida Paulista

Avenida Paulista – 120 anos atrás era “mata grande” ou Caaguaçu

Tem um rio no meio do caminho

As mansões e palacetes da Av. Paulista