“Conformidade é uma foto, desempenho é o filme”: o painel que mostrou a acessibilidade como dado de mercado

Adriano Sartori, da CBRE, e Fernando Didziakas, da Buildings, durante o painel sobre o futuro da construção na 4ª edição do Ideia Boa Para Todos

O painel sobre o futuro da construção reuniu Adriano Sartori, CEO da CBRE Brasil, e Fernando Didziakas, da Buildings. Foi o momento em que a conversa saiu do campo da intenção e entrou no da planilha — e começou com um número que ninguém na sala esperava.

A diferença de vacância

A Buildings monitora mais de dez mil imóveis e mantém uma parceria com o Guiaderodas: quem usa a base consegue filtrar edifícios que possuem a Certificação. Isso permitiu uma comparação direta.

“Quando eu pego todos os ativos de alto padrão da cidade de São Paulo, a gente está falando de uma taxa de vacância hoje na casa de 12%. Quando eu segmento apenas os edifícios que têm a Certificação, a gente está falando de 7,5%.”

Um edifício certificado fica menos tempo vazio. Não é um argumento moral sobre acessibilidade: é o indicador que proprietário e investidor olham primeiro.

O escritório que virou convite

Antes de chegar aos números, Didziakas explicou o que mudou na forma como se pensa esse ativo:

“O escritório hoje não é o local onde as pessoas vão para trabalhar, mas onde as pessoas vão para desfrutar da cultura da empresa, se conectar. Ele passa a ser muito mais um convite às pessoas estarem lá do que uma necessidade imposta.”

E a consequência é direta: se o escritório precisa convidar, precisa também estar ao alcance de todos.

“O escritório precisa estar perto, precisa ser acessível, e precisa ser um ambiente convidativo para todas as pessoas.”

A frase do painel

Foi Sartori quem deu nome ao que estava em jogo:

“Conformidade é uma foto. Você preencheu os pré-requisitos e ok. A questão é que o desempenho é o filme. O desempenho é o que realmente importa.”

E explicou por que a foto envelhece rápido:

“Ao longo do tempo, o mobiliário muda, os acessos mudam, os sistemas mudam. Você precisa ter um controle dessa evolução, e isso passa por gestão também. Quando as empresas compram a acessibilidade, elas compram a conformidade, mas também estão comprando a ideia de uma gestão ativa e perene.”

De onde nasce a decisão dentro de uma empresa

Perguntado se a certificação nasce no RH, chega por facilities, desce de uma matriz no exterior ou vem da sustentabilidade, Sartori foi direto: nasce de todos os lados ao mesmo tempo, ou não nasce.

“A mudança de sede em uma empresa hoje é uma decisão multidisciplinar. O RH tem a meta, tem a pauta da diversidade e da inclusão. O facilities vai olhar toda a questão de serviços, de identificação, do espaço. O procurement vai negociar. E o financeiro é que vai liberar o dinheiro. Tem que ter integração de todo mundo. Se isso não for estratégia das quatro áreas, simplesmente vai ter uma fricção ali.”

Do lobby suntuoso ao lobby útil

A última pergunta olhou para a vida útil de um edifício: entregue hoje, ele opera por décadas, e o perfil de quem o usa muda com o tempo. Didziakas comparou duas gerações de empreendimento:

“Quando a gente pensa nos grandes desenvolvimentos de 15, 20 anos atrás, o que os proprietários mais buscavam eram lobbies grandes e suntuosos, pé-direito duplo, triplo se possível, e a laje com a melhor eficiência possível.”

A laje eficiente continua sendo desejo de todo proprietário — porque continua sendo desejo de todo inquilino. Mas o lobby mudou de função:

“Muitos proprietários que tinham grandes lobbies têm agora cafeterias dentro do lobby. Espaços que na garagem eram inutilizados hoje têm lavanderia. Tem empreendimento na cidade com quadra de pickleball na garagem. Porque a ideia é que o ativo seja convidativo. Ele não pode ser apenas eficiente, ele precisa ser agradável ao público.”

E fechou retomando a metáfora do painel:

“Independente da valorização no longo prazo, o mais importante é aquela questão do filme: a manutenção, perseguir avaliações constantes, porque muda. A gente está falando de uma jornada, de uma experiência para o usuário. E acessibilidade não se faz em partes. Ela tem começo, meio e fim.”

Os dois lados que ganham

Didziakas resumiu por que o tema interessa proprietário e usuário ao mesmo tempo:

“O Guiaderodas faz um papel importantíssimo: apresentar a geração de valor que a acessibilidade tem para os dois lados da mesa. Gera valor para o ativo, do lado do proprietário, e os próprios números mostram que os prédios certificados performam melhor do ponto de vista de ocupação. E gera valor do ponto de vista do usuário quando a gente pensa em retenção de talentos.”

“Muitas companhias têm políticas claras de diversidade e inclusão em que a certificação é mandatória para esse tipo de adequação.”

Por que isso importa agora

A apresentação que abriu o painel deu o contexto de mercado: sete em cada dez empreendimentos corporativos de alto padrão em São Paulo já têm selo verde, e a acessibilidade está percorrendo o mesmo caminho. O GRESB — benchmark global usado por investidores institucionais — reconhece a Certificação Guiaderodas desde 2023 e a mantém na lista de esquemas válidos do ciclo atual.

Ou seja: empreendimentos certificados já pontuam na metodologia usada por quem aloca capital. O que era conformidade legal virou atributo de desempenho reportável.

A pergunta sobre um edifício deixou de ser se ele atende aos requisitos, para virar outra: ele funciona bem para pessoas diferentes ao longo de toda a existência do prédio?

É exatamente o que a Certificação Guiaderodas mede.

Adriano Sartori e Fernando Didziakas participaram da 4ª edição do Ideia Boa Para Todos, realizada em 11 de setembro de 2026, na Amcham, em São Paulo, com apoio da CBRE.

Uma ideia quando é boa, é boa para todos.

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