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Jovem cria série para compartilhar sua vida com paralisia cerebral

Jovem cria série para compartilhar sua vida com paralisia cerebral

Influenciador da inclusão, Ivan Baron publica nas redes sociais conteúdos divertidos, que rompem com a desinformação sobre pessoas com deficiência

Influenciador da inclusão, nordestino e potiguar. Assim se descreve o estudante de pedagogia Ivan Baron, 23, que usa as redes sociais para compartilhar conteúdos sobre sua vivência com paralisia cerebral, deficiência que tem desde os três anos de idade. Em março, o jovem lançou a série “Minha vida com paralisia cerebral” para mostrar, de forma divertida, seu dia a dia e romper com a desinformação.

Sua trajetória como criador de conteúdo teve início no Instagram, em 2018, pois não era representado pela grande maioria dos influenciadores até então.

“Sentia muita falta de ter alguém falando sobre o assunto do capacitismo [preconceito contra pessoas com deficiência]”, relata em entrevista ao Blog Ideia Boa, do Guiaderodas.

Então, Ivan começou a gravar vídeos e recebeu apoio de amigos próximos, ganhando cada vez mais visibilidade. Hoje, ele reúne cerca de 77 mil seguidores na rede social e mais 165 mil no TikTok.

‘Minha vida com paralisia cerebral’

O projeto “Minha vida com paralisia cerebral” nasceu a partir de sua percepção sobre a reação de seus próprios seguidores. “As pessoas olhavam meu perfil e ficavam com dúvidas sobre qual era o tipo da minha deficiência”, afirma. Muitas delas achavam que era apenas física, enquanto outras pensavam que decorria de um acidente porque ele usa bengala. 

Para Ivan, sua deficiência é algo tão natural dentro de si que nunca havia cogitado que poderia causar alguma dúvida. Foi diante dessa reflexão que ele decidiu publicar, com um toque de humor, suas experiências enquanto pessoa com paralisia cerebral. “Vejo que ainda existe muita desinformação sobre nós, principalmente preconceito. E meu objetivo principal foi quebrar isso”, pontua.

No primeiro episódio da série, o jovem revela que tipos de comentários pessoas com deficiência escutam quando estão em momentos de lazer, como festas, bares e encontros sociais. No vídeo seguinte, ele retrata um tipo de situação comum para quem tem paralisia cerebral: a sialorreia ou “babação”, que não deve ser tratada como tabu ou nojo. “Haja com naturalidade e nos respeite”, sugere.

A rigidez muscular é o foco do terceiro conteúdo, algo que já fez o estudante de pedagogia sofrer muito na vida. Segundo ele, é comum que o músculo trave quando a pessoa se sente tensionada, o que recebe o nome técnico de espasticidade. O quarto e último post criado questiona situações ruins e tóxicas do lanche na escola, nas quais cada um pode encontrar o “lado bom”. “O meu foi comer 2x no lanche e ainda fazer amizade com tias da cantina, saudades da minha fase escolar…”, escreve.

Trajetória e recepção do público

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Ivan já alcançou pessoas de todo o Brasil com seu trabalho. A paralisia cerebral (PC), que lhe causou deficiência física e mobilidade reduzida, foi a sequela que sofreu após uma grave infecção alimentar. De acordo com informações da Associação Brasileira de Paralisia Cerebral, a condição descreve um grupo de desordens do desenvolvimento do movimento e da postura, ocasionando limitações nas atividades. 

A paralisia cerebral é o tipo de deficiência física mais comum na infância. “São atribuídas a distúrbios não progressivos que ocorrem no cérebro em desenvolvimento”, diz o site da instituição. Ainda segundo a associação, as desordens motoras da PC são acompanhadas, geralmente, por alterações na sensação, percepção, cognição, comunicação, comportamento, epilepsia e problemas musculoesqueléticos secundários.

Ter paralisia cerebral não impediu que Ivan conquistasse seu espaço. Além das publicações de diferentes conteúdos nas redes sociais, ele faz palestras e outros materiais informativos, como um e-book que retrata o que é capacitismo.

Depois de anos como influenciador, o estudante entende que a importância de tudo o que alcançou é justamente ter cada vez mais pessoas com deficiência ocupando espaços de expressão, como a internet. “Somos plurais e apenas uma pessoa não é suficiente para levantar essa bandeira. Precisamos nos apoiar para promover informações de qualidade”, acrescenta.

Nesse sentido, para Ivan, o público é o grande responsável por fazer com que sua voz seja ecoada. Constantemente, ele recebe mensagens no direct do Instagram elogiando sua atuação. “Acredito que meus apontamentos representam a opinião de vários seguidores, porém, não quero tomar o lugar de ninguém e ‘representar’. Quero que as próprias pessoas, com e sem deficiência, tenham destaque em suas diferentes vivências”, finaliza.

Quer conhecer mais sobre o trabalho do jovem e assistir aos vídeos? Confira a série “Minha vida com paralisia cerebral” neste link e acesse o perfil de Ivan Baron no Instagram e no TikTok.


Heloisa Aun

Heloisa Aun

Jornalista e estudante de Letras na USP, trabalha desde o início da carreira com a temática dos direitos humanos e meio ambiente. Nos últimos anos, idealizou campanhas de combate ao assédio sexual e à violência doméstica. Também atua na área de educação em organizações e projetos sociais.

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