Libras Digital: Curiosidades sobre as Primeiras Ferramentas de Interpretação Automatizada

A evolução das tecnologias voltadas à interpretação automatizada da Língua Brasileira de Sinais (Libras) envolve décadas de pesquisa, desenvolvimento e aplicação em diferentes contextos. A seguir, apresentamos um panorama das primeiras ferramentas que contribuíram para tornar a Libras mais presente em ambientes digitais.

Origens Tecnológicas Globais: Interpretação de Línguas de Sinais ao Redor do Mundo

Em 1977, foi criada a máquina RALPH, um dos primeiros dispositivos a converter letras do alfabeto em sinais manualizados, utilizando uma mão robótica.

Nos anos 2000, o sistema TEAM (“Translation from English to ASL by Machine”) foi desenvolvido para processar textos em inglês e gerar sinais na American Sign Language (ASL) por meio de avatares digitais.

A tecnologia SignAll, de origem húngara, combinou hardware e software para interpretar sinais em tempo real. Utilizando câmeras e algoritmos, o sistema reconhecia gestos e expressões faciais em ASL.

Imagem: Releitura em IA do RALPH, mão robótica de 1977 com dedo indicador erguido sobre base transparente com circuitos. Fundo pastel e luz retrô evocam o clima dos anos 70.

No Brasil: Iniciativas Precursoras na Promoção do Acesso à Libras

Criado em 2010 no LAVID/UFPB, o VLibras é uma suíte de código aberto que realiza a interpretação de textos, áudios e vídeos para Libras. Está disponível para diferentes plataformas e foi incorporado a projetos de inclusão digital.

Imagem: Print screen da página gov.br-governodigital-pt-br-acessibilidade-e-usuario-vlibras

Em 2001, surgiu o Falibras, desenvolvido no Instituto de Computação da UFAL com o objetivo de converter textos escritos em português para Libras.

Outro exemplo é o Hand Talk, um aplicativo que interpreta conteúdos diversos com o uso de um avatar digital chamado “Hugo”, voltado para situações do cotidiano.

Imagem: Mascote do HandTalk com um smartphone na mão apontando a logo do HandTalk. Imagem retirada do site handtalk.me.

Representação Visual: Escrita de Línguas de Sinais

O SignWriting, criado em 1974, é um sistema de escrita visual desenvolvido especificamente para línguas de sinais. Seu editor digital, o SignWriter, operava inicialmente em MS‑DOS. No Brasil, foi introduzido na PUCRS e utilizado na produção de dicionários de Libras, como o da USP em 2001.

Image: Soletração do alfabeto em Língua de Sinais Americana (ASL). Conjunto de imagens de uma mulher mostrando o alfabeto em fundo preto. Língua de sinais.

Avanços Recentes: Inteligência Artificial e Interação com Avatares

Em 2025, a startup britânica Silence Speaks lançou avatares baseados em inteligência artificial capazes de interpretar textos em Libras com diferentes expressões. A tecnologia foi aplicada em espaços públicos, como o metrô de Londres.

No mesmo ano, o CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) desenvolveu um sistema de interpretação simultânea para Libras com uso de IA, capaz de converter gestos em texto e vice-versa. O projeto envolveu 180 pessoas ao longo de cinco anos, com investimento de R$10 milhões, segundo a revista Nature.

AnoFerramenta / SistemaDescrição breve
1977RALPHMão robótica para sinais manualizados
Anos 2000TEAMInterpretação de textos em inglês para ASL
2001Falibras (UFAL)Conversão de português escrito em Libras
2005-2010SignWriting / SignWriterEscrita visual para línguas de sinais
2010VLibras (UFPB)Interpretação digital de textos, vídeos e áudios
Década 2010Hand TalkAplicativo com avatar para Libras
2025Silence SpeaksAvatares com IA e expressões visuais
2025Tradutor IA do CESARInterpretação simultânea com inteligência artificial

Panorama Atual e Tendências

As tecnologias voltadas à Libras vêm passando por melhorias contínuas. O uso de inteligência artificial, reconhecimento de gestos e avatares digitais permite ampliar o acesso a conteúdos em língua de sinais em diversos contextos — da educação ao transporte público.

A tendência é que esses recursos sigam se aprimorando, com foco em eficiência, precisão linguística e integração a diferentes plataformas digitais.

Imagem: Estudante adolescente olhando para a tela do computador e conversando com um colega em chamada de vídeo, sentada à mesa em casa. Aula online em curso de ensino a distância, comunicando-se em Libras.