Conheça o goalball brasileiro: potência mundial e favorito para Tóquio

Conheça o goalball brasileiro: potência mundial e favorito para Tóquio

Você talvez não saiba, mas o Brasil é uma verdadeira potência mundial quando se trata de goalball

A modalidade, criada há 75 anos e ainda que com pouca visibilidade, passou por um período de ascensão na última década, que colocou o país na elite do planeta. E neste ano, para coroar esse crescimento, a seleção brasileira vai aos Jogos Paralímpicos de Tóquio buscar o que falta: a medalha de ouro. 

Mas antes de falar do presente, vamos voltar ao ano de 1946, quando foi criado o goalball. Ao contrário de outras modalidades paralímpicas, o goalball é a única que não foi adaptada de outro esporte, e sim desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência visual. 

O austríaco Hanz Lorezen e o alemão Sepp Reindle foram os responsáveis por inventar a modalidade, com o objetivo de reabilitar e socializar os veteranos da Segunda Guerra Mundial que ficaram cegos.

Apenas 30 anos depois, o goalball foi apresentado como um esporte de alto rendimento, nos Jogos de Toronto 1976. Isso rendeu à modalidade a oportunidade de entrar, pela primeira vez, no programa oficial dos Jogos Paralímpicos de Arnhem, em 1980, apenas com a categoria masculina. O feminino entrou quatro anos depois, na Paralimpíada de Nova York. 

No Brasil, o goalball chegou apenas em 1985, quando o professor Steven Dubner, membro do CADEVI, instituição de atendimento às pessoas cegas em São Paulo, apresentou a modalidade. Dois anos depois, já foi realizado o primeiro campeonato brasileiro. 

Ascensão meteórica

Foi em 2004 que o goalball brasileiro deu seu primeiro grande salto, com a inédita classificação de uma seleção, a feminina, para a Paralimpíada de Atenas-2004. A partir de então, a modalidade não parou mais de crescer. As seleções, masculina e feminina, estiveram nos Jogos de Pequim-2008, quatro anos depois. Mas foi no ciclo seguinte que o Brasil se tornou a potência que é hoje. 

Nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, em 2011, foram duas medalhas conquistadas: o ouro, no masculino, e a prata, no feminino. E desde então, o domínio brasileiro é absoluto no Pan, com seis medalhas, sendo cinco douradas. No ano seguinte, a seleção masculina deu mais um passo, faturando a inédita medalha de prata nos Jogos de Londres 2012. 

Em 2014, a equipe foi campeã mundial pela primeira vez, conquistando o bicampeonato quatro anos depois. Nesta edição, de 2018, as mulheres também fizeram história com sua primeira medalha em Mundiais: o bronze. 

Todos esses resultados alçaram o Brasil ao primeiro lugar do ranking mundial masculino e ao terceiro, no feminino. Mas falta uma coisa: o ouro paralímpico. Isso porque na Rio-2016, o time masculino não confirmou o favoritismo e acabou ficando com o bronze.

O último passo

E é justamente em Tóquio 2020 que esse sonho pode se concretizar. A disputa promete ser acirrada, com mais países diminuindo a diferença técnica nos últimos anos. O Brasil, no entanto, tem uma arma secreta no masculino: Leomon Moreno, o Cristiano Ronaldo do goalball. 

O atleta esteve na seleção durante todo o período de ascensão do goalball brasileiro e já foi eleito o melhor jogador do mundo em 2018. Dois anos antes, recebeu o convite para jogar pelo Sporting, de Portugal, clube onde Cristiano Ronaldo começou sua carreira, e foi anunciado como “CR7 do goalball”. 

Aos 27 anos, Leomon Moreno pretende ir a Tóquio com tudo para não deixar escapar a cereja do bolo e para fechar esse primeiro grande ciclo do goalball brasileiro com chave – literalmente – de ouro. 

Sobre o Jogo

As partidas são realizadas em dois tempos de 12 minutos, com três minutos de intervalo. Cada equipe conta com três jogadores titulares e três reservas. Os atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas obrigatórias. O objetivo é balançar a rede adversária.

Além disso, a bola possui um guizo em seu interior para que os jogadores saibam sua direção. Por ser baseado nas percepções tátil e auditiva, não pode haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento do gol. 

Por fim, todos os atletas, independente do grau da deficiência visual, competem juntos. Assim, todos utilizam uma venda durante as competições para que possam competir em condições de igualdade.


Fernanda Zalcman
Jornalista, curiosa por natureza e apaixonada por fazer a diferença. Encontrou no esporte um propósito: inspirar e dar voz à histórias e pessoas que por vezes estão escondidas. Porque todos importam e merecem espaço!

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