Viagem de avião para pessoas com deficiência física

jan 29, 2019

Um bom planejamento e ter informações é fundamental para evitar frustrações

Muitas pessoas com deficiência ou restrição de mobilidade desistem de viajar de avião só de pensar nas dificuldades que vão encontrar pelo caminho. De fato os desafios existem, por isso fazer um bom planejamento e ter informações é fundamental para evitar frustrações.

  • Compra da passagem:

A primeira coisa que se deve levar em consideração é: você vai viajar sozinho ou acompanhado? Por Lei, as companhias aéreas são obrigadas a oferecer desconto para acompanhantes de pessoas com deficiência que, comprovadamente, não conseguem viajar sozinhas. Saiba mais.

Na hora de efetuar a compra, uma preocupação constante é a escolha do assento. As companhias aéreas não disponibilizam mais a primeira fileira para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Atualmente esses lugares são comercializados. Caso a pessoa não consiga caminhar, isso deve ser informado no check-in para o atendente. Na maioria das vezes não é disponibilizado sem custo o assento na primeira fileira para a pessoa, e muito menos para seu acompanhante. Nesses casos a solução é utilizar a cadeira de rodas da aeronave, que é mais estreita e passa pelos corredores. Essa cadeira, dependendo da condição física do passageiro, não proporciona autonomia e deve ser utilizada com o auxílio de uma ou mais pessoas, portanto o deslocamento deve ser feito com extremo cuidado.

As pessoas são diferentes e possuem necessidades diversas. Não há um protocolo que atenda com precisão a demanda de todos. Além disso, os aeroportos possuem estruturas diferentes, os países possuem legislações diferentes e as companhias aéreas também oferecem tratamentos diferentes. Por tudo isso, recomenda-se sempre o diálogo. Conversar e explicar o que se necessita pode ser cansativo, mas ainda é a melhor maneira de conseguir atender suas expectativas.

  • Check-in

O passageiro com restrição de mobilidade deve apresentar-se para o check-in com a mesma antecedência dos demais.

Depois de despachar as malas é o momento ideal para tratar das suas necessidades. Existem cadeirantes que preferem despachar suas cadeiras e se dirigir à aeronave com a cadeira do aeroporto, e há aqueles  que preferem ir até dentro da aeronave com suas cadeiras.essoas com mobilidade reduzida podem querer solicitar uma cadeira de rodas do aeroporto para percorrer longas distâncias. Seja qual for o seu caso, a companhia aérea disponibilizará um funcionário para acompanhá-lo no processo de embarque. Esse funcionário conhece bem o aeroporto e o ajudará a encontrar os melhores trajetos para chegar até o portão de embarque.

  • Embarque/Desembarque

Logo na entrada da sala de embarque o passageiro encontra as máquinas de raio X. Por fazer uso de equipamentos com metal para se locomover, ele não passará pelo detector de metais. Uma pessoa do mesmo sexo fará uma revista manual e seus pertences passarão pelo raio X. Em muitos casos é solicitado que se tire o sapato ou a órtese e pode-se solicitar auxílio caso necessário.

A pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida é a primeira a entrar e a última a sair da aeronave. Uma das razões disso é de fácil compreensão: com o avião vazio, sem ter pressa, a pessoa consegue se acomodar com mais cautela.

É possível embarcar/desembarcar de diferentes formas. As mais comuns são através de finger ou ambulift.

O finger é uma espécie de corredor que conduz todos os passageiros até a aeronave. Esta é a alternativa mais prática e mais segura de entrar e sair do avião.

O ambulift é uma espécie de caminhão com um container que sobe e desce que leva a pessoa e seu acompanhante até a porta lateral da aeronave.

Existem outras formas de acessar a aeronave. Para embarques sem finger, algumas empresas disponibilizam em alguns aeroportos uma rampa coberta para que a pessoa em cadeira de rodas possa descer com segurança pela porta principal.

Alguns aeroportos de cidades menores utilizam uma cadeira que sobe e desce escadas. Assim como as cadeiras que são utilizadas dentro do avião, esses dispositivos não apresentam muita segurança e o cuidado deve ser redobrado.

  • Banheiro

Acessibilidade pressupõe espaço e espaço no avião é dinheiro. Talvez por essa razão ainda não tenham solucionado de vez este, que é um dos temas mais sensíveis para as pessoas com dificuldade de locomoção. Fato é: acessibilidade e avião são duas coisas que não combinam muito.

Em voos nacionais realizados com aeronaves menores, não há banheiro acessível.

Para voos internacionais existem algumas adaptações interessantes disponíveis para aviões dotados de dois corredores. Nesses casos, as paredes são retráteis e dois banheiros pequenos podem montar um banheiro maior com maior área de transferência, barras de apoio e porta larga, permitindo o uso autônomo do banheiro. Infelizmente não são todas as grandes aeronaves que dispõem desse recurso. Além disso, as companhias podem trocar de equipamento sem avisar previamente os passageiros. Por isso, é complicado contar com esse recurso para elaborar o planejamento.

  • Chegada ao Destino

Após toda a jornada, é hora de aproveitar sua estadia no local de destino, seja em uma viagem a trabalho ou a lazer. Porém, como saber que lugares são acessíveis em uma cidade desconhecida? Uma boa opção é baixar gratuitamente o app Guiaderodas. Além de fazer a consulta você também pode avaliar os locais que frequentar.

 

Comentários:

4 Comentários

  1. Silvia C Borba

    Olá! Siu PNE e faço constantemente agens de avião. De fato é sempre uma aventura. Só discordo de uma única questão que foi escrita nesse artigo. Nós, PNE’s temos sum o fireito de sentar no primeiro assento da aeronave, junto com o acompanhante e sem custo adicional. É nosso direito e deve ser exigido. Assim como também devemos exigir que a ANAC priorize em fingers ou rampas o avião que chega ou que embarcará passageiros PNE’s. Essa informação sempre ée passada no check-in ou na aterrissagem. A ANAC é que determina ond edd o avião “estaciona” e ela tem todas as informações sobre os passageiros.

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    • Guiaderodas

      Oi, Silvia! Você tem toda a razão! A informação é de fato passada no momento do check in ou até mesmo da compra da passagem, mas infelizmente o direito nem sempre é respeitado, devido a problemas diversos em diferentes etapas de todo o processo. Conhecemos muitas histórias de pessoas que já tiveram problemas… Isso se agravou desde que as companhias conseguiram autorização para comercializar esses assentos, que em geral têm espaço maior. No fim das contas, o tratamento dado pela equipe do aeroporto e da aeronave acabam sendo decisivas entre uma boa e uma má experiência. Por isso, uma atitude acessível (a chamada “acessibilidade atitudinal”) sempre é fundamental em todos os casos.

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  2. Caroline

    Oi, ficou uma dúvida no final, as cias aéreas são obrigadas ou não a nos ceder um assento na primeira fileira? Entendo que cada deficiência é um caso, no caso da minha, meu joelho direito não flexiona e eu só consigo sentar na primeira fileira (na Latam por alguns centímetros eu nem na primeira encaixo direito), todas as vezes, eu a compro por segurança. Mas gostaria de confirmar se é um direito nosso ou não por favor.

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    • Tomaz Walter

      Olá Caroline, tudo bem?

      Contanto que você esteja com os documentos necessários e avise com antecedência, a empresa cederá um dos acentos na primeira fileira para você.

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