Além da Companhia: Animais Promovem a Saúde e o Bem-Estar de Pacientes Através da TAA

Além da Companhia: Animais Promovem a Saúde e o Bem-Estar de Pacientes Através da TAA

Saiba como os animais podem fazer a diferença no tratamento terapêutico de diversos pacientes

Você já ouviu falar na sigla TAA? Essas três letras representam a Terapia Assistida por Animais. Essa prática é um tipo alternativo ou complementar de terapia que inclui o uso de animais em um tratamento e tem se popularizado cada vez mais pelo mundo, inclusive no Brasil, onde diversas instituições têm se dedicado à promoção e mediação de intervenções feitas com animais terapeutas.

Como surgiu a Terapia Assistida por Animais?

A terapia assistida por animais não é uma prática recente, embora tenha se tornado mais conhecida nos últimos anos. O potencial terapêutico dos animais foi reconhecido, inicialmente, no fim do século XIX, graças às descobertas relacionadas à evidente melhora dos pacientes, feitas por Florence Nightingale, enfermeira britânica nascida na Itália,  considerada, atualmente, como a fundadora da enfermagem moderna. 

Apesar deste reconhecimento do potencial terapêutico dos animais ter sido reconhecido no século XIX, fatos históricos apontam que a Terapia Assistida por Animais teve início ainda antes, na Grécia Antiga, no século XVI – anos 1600 – quando, segundo registros, houve relatos de médicos que usavam cavalos para melhorar a saúde física e mental de seus pacientes. 

Posteriormente, durante os anos 1960, teve início a primeira pesquisa formal envolvendo o uso de animais para terapia pelo psicólogo norte-americano Dr. Boris Levinson. Isso aconteceu porque, por meio de seus atendimentos, Levinson descobriu que o seu cachorro tinha um efeito positivo em pacientes jovens com deficiência mental. Mais especificamente, que esses pacientes se sentiam mais confortáveis e propensos a socializar com seu cachorro do que com outros humanos.

Outro exemplo, ainda mais famoso, é o do psicanalista Sigmund Freud, que levava o seu cachorro chamado Jofi, da raça chow-chow, para acompanhá-lo durante as suas sessões, dizendo considerá-lo o seu braço direito no trabalho. Freud também acreditava que os cães têm a capacidade de sentir os estados emocionais das pessoas e que são ótimos em julgar o caráter de alguém, por isso, avaliava os estados mentais de seus pacientes com a ajuda de Jofi.

Foto: Freud e seu chow chow Jofi

Os objetivos e os benefícios da TAA

O principal objetivo da Terapia Assistida por Animais é ajudar pessoas no tratamento e no processo de recuperação ao lidar com um problema de saúde, seja ele de ordem física ou psicológica, ou ainda pacientes com transtorno mental. Entre os animais mais comumente usados neste tipo de terapia estão os cachorros e os gatos, porém outros animais também podem exercer essa função, dependendo do objetivo pontual da terapia para cada paciente. 

A exemplo disso, temos a equoterapia, também conhecida como “terapia assistida por cavalos”, que se resume a uma abordagem interdisciplinar nas áreas de educação, saúde e equitação, buscando o desenvolvimento físico e mental de pessoas com deficiência.

Podemos pensar que a popularização recente da terapia assistida por animais se deu devido aos diversos benefícios trazidos pela intervenção animal durante a prática terapêutica. O convívio com animais de estimação, especialmente com cães e gatos, pode reduzir o estresse, a ansiedade e os sintomas da depressão, além de aliviar o sentimento de solidão, estimular brincadeiras, a prática de exercícios físicos e a demonstração de afeto. 

Em termos mais técnicos, este contato com animais estimula o aumento na produção de endorfina que, ao ser liberada, estimula a sensação de conforto, bem-estar e alegria. Além disso, há também o aumento na produção da ocitocina, responsável por promover a afeição e diminuir a pressão arterial.

Em pacientes com autismo, por exemplo, é possível perceber através da TAA, uma melhora significativa na demonstração de sentimentos, na compreensão de regras e limites impostos e no desenvolvimento de uma linguagem mais expressiva. 

Áreas de Atuação da TAA e os Animais Terapeutas

Muitos animais de terapia atuam por meio de visitas a hospitais, escolas, lares de idosos e instituições e associações de pessoas com deficiência. Ou seja, na maioria dos casos, a TAA ocorre por meio de visitas a estabelecimentos de cuidados e convívio, para que haja interação com alunos e pacientes. 

Terapia Assistida por Animais

Os animais terapeutas são, na maior parte dos casos, animais domésticos bem socializados que, por iniciativa voluntária do dono, passam a exercer este tipo de trabalho. Isso quer dizer que, diferentemente dos cães de serviço, não há uma formação específica que deve obrigatoriamente ser seguida para que um pet se torne um animal terapeuta.

O fator que mais influencia neste caso é a sociabilidade destes animais. Essas visitas sempre são intermediadas por instituições e associações que cuidam para que tudo ocorra de forma adequada. 

Conhecendo mais sobre a TAA na Prática

No Brasil, hoje, existem diversas instituições e associações que trabalham promovendo e mediando a Terapia Assistida por Animais. Para conhecer um pouco melhor sobre a TAA na prática e sobre o que um pet precisa ter para se tornar um animal terapeuta, vamos conhecer um pouco do trabalho da ATEAC.

A ATEAC (Instituto para Atividades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas) é um exemplo de ONG que trabalha promovendo a TAA na cidade de Campinas – SP desde 2004. Sete instituições são atendidas pela ATEAC, instituto que conta com 55 cães co-terapeutas, 60 voluntários e promove 690 atendimentos mensais, totalizando cerca de 3.800 crianças, adolescentes, adultos e idosos atendidos por ano. 

Para entender melhor o que é esperado de um cão para que ele possa se tornar um animal terapeuta, a associação exige alguns pré-requisitos.

O animal deve:

  • Ser calmo e participativo;
  • Gostar de interagir com adultos, crianças e idosos;
  • Não demonstrar sinais de agressividade, estresse e agitação excessiva;
  • Responder a comandos básicos;
  • Estar em dia com os requisitos de saúde e higiene;
  • Ser castrado (machos e fêmeas).

Você já tinha ouvido falar sobre a TAA? Acha que o seu cachorro tem o perfil para se tornar um cão co-terapeuta? Então compartilhe essa matéria 🙂


Giovanna Naddeo

Giovanna Naddeo 

Escritora, professora e tradutora formada em Letras pela UNICAMP. Apaixonada por viagens, bordados e animais. Acredita que um mundo melhor se faz com pessoas que se incentivam.

Comentários (2)

  1. Juliana Pintor Furlanetto
    19/12/2021 no 21:42 pm

    Ótima leitura e muito necessária! Parabéns Gi!!

  2. Silvia Arruda
    19/12/2021 no 23:41 pm

    Achei muito interessante e também útil para difundir uma atividade que comprovadamente traz tantos benefícios.

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