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Conheça a história dos Jogos Paralímpicos

Conheça a história dos Jogos Paralímpicos

No dia 24 de agosto desde ano, será realizada a Cerimônia de Abertura de Tóquio 2020, a 16ª edição da história dos Jogos Paralímpicos.

Assim, à medida em que a contagem regressiva vai se aproximando do fim, o Guiaderodas conta tudo que você precisa saber sobre o maior evento esportivo do mundo.

Tudo começou com um neurologista alemão, de origem judia, forçado a deixar seu país pelo governo nazista. Ludwig Guttmann se muda, então, para a Inglaterra, onde foi indicado pelo governo britânico para chefiar o Centro Nacional de Traumatismos na cidade de Stoke Mandeville. Sua principal missão era a reabilitação de soldados que serviram na Segunda Guerra Mundial.

O trabalho por si só já era histórico, já que antes da Guerra, não havia registros de grandes esforços para reabilitar os soldados feridos. Guttmann, então, criou uma linha de tratamento, que incluía a prática esportiva e logo fez sucesso. 

Com isso, em 1948, foi realizado o primeiro evento esportivo exclusivo para pessoas com deficiências físicas. A data escolhida foi 28 de julho, o mesmo dia do início dos Jogos Olímpicos de Londres, a 56km de Stoke Mandeville. 
O evento foi ganhando notoriedade até que, em 1960, foram realizados os primeiros Jogos Paralímpicos oficiais da história. A sede foi a capital italiana, Roma, que recebeu 400 atletas de 23 países diferentes, em provas exclusivas para cadeirantes.

Atletas em Stoke Mandeville – Divulgação

Crescimento da competição

O sucesso das primeiras edições resultou em um rápido crescimento do movimento paralímpico. E a cada Paralimpíada, um novo ganho. Em 1976, outras categorias passaram a integrar o programa dos jogos e, pela primeira vez, foram realizados eventos para deficientes visuais, amputados e  pessoas com lesão na medula espinhal, totalizando 1600 atletas de 40 países. E no mesmo ano, aconteceu a primeira Paralimpíada de Inverno. 

Já em 1988, os Jogos de Seul, na Coreia do Sul, foram um marco histórico: pela primeira vez, os atletas paralímpicos puderam usar os mesmos locais de competição dos Jogos Olímpicos. As cerimônias de abertura e encerramento foram realizadas no Estádio Olímpico e, diante de 75 mil pessoas, a nova bandeira paralímpica foi apresentada. Além disso, um ano depois, foi fundado o Comitê Paralímpico Internacional. 

Quatro anos mais tarde, Barcelona 1992 foi a primeira Paralimpíada a ser transmitida ao vivo para o país-sede, com uma média diária de 7 milhões de espectadores espanhóis. 

Pessoas com deficiência auditiva e intelectual

A inclusão de deficiências auditivas e intelectuais nos Jogos Paralímpicos é cercada de polêmicas. Em relação à primeira, há de se destacar que existem os Jogos Surdolímpicos, realizados desde 1924. A briga por reconhecimento e independência, no entanto, sempre foi um entrave com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e com o Comitê Paralímpico Internacional (IPC).

Após um congresso em 1993, o Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD) pediu ao IPC um posicionamento de como seria a participação de pessoas com deficiência auditiva nos Jogos Paralímpicos em relação a número de atletas, tipo de eventos, presença de intérpretes… Não houve resposta oficial e, em 1995,  ICSD decidiu se retirar do IPC. Até hoje, os atletas com deficiência auditiva não participam dos Jogos Paralímpicos, mas continuam competindo nos Jogos Surdolímpicos. 

Já as pessoas com deficiência intelectual têm uma história ainda mais polêmica. A edição de Atlanta 1996 ficou marcada pela inclusão oficial dessas pessoas em eventos selecionados de atletismo e natação. Mas, quatro depois, uma fraude viria acabar com essa história. 

Meses após os Jogos de Sydney, um membro da equipe espanhola de basquete, que foi campeã, alegou que diversos atletas, incluindo ele mesmo, competiram como se tivessem deficiência intelectual sem de fato ter. O IPC iniciou, então, uma investigação e concluiu que mais de dois terços das inscrições foram consideradas inválidas.

Como consequência, a Espanha perdeu a medalha de ouro e as disputas para atletas com deficiência intelectual foram suspensas, seguindo assim até hoje. A principal alegação é a dificuldade de classificar e provar a deficiência. 

Jogos atualmente e participação do Brasil

Hoje, os Jogos Paralímpicos já são um evento consolidado no mundo todo. E Tóquio 2020 promete grandes emoções e recorde de participação. Além disso, duas modalidades irão estrear na Paralimpíada deste ano: o badminton e o taekwondo, substituindo o futebol de 7 e a vela.

O Brasil estreou nos Jogos Paralímpicos em 1972, em Heidelberg, na Alemanha, com um grupo de 20 atletas homens, que terminou sem medalhas. A primeira foi conquistada nos Jogos de Toronto, quatro anos depois. A dupla Luiz Carlos Costa e Robson Sampaio Almeida estreou no pódio, com uma medalha de bronze, em uma prova de lawn bowls (espécie de bocha sobre grama). 

Além disso, o Comitê Paralímpico Brasileiro foi fundado em 1995. E nos últimos anos, o Brasil também tem se destacado na competição. Em Pequim 2008, o país ficou entre os 10 primeiros colocados pela primeira vez na história, terminando na nona posição do quadro de medalhas. 

Quatro anos depois, a delegação alcançou seu melhor resultado até hoje, ficando em sétimo. E em casa, na Rio 2016, os brasileiros terminaram em oitavo, mas conquistaram o maior número de medalhas até agora: 72. 

Por isso, a expectativa para Tóquio é grande! Você não vai ficar fora dessa né?


Fernanda Zalcman
Jornalista, curiosa por natureza e apaixonada por fazer a diferença. Encontrou no esporte um propósito: inspirar e dar voz à histórias e pessoas que por vezes estão escondidas. Porque todos importam e merecem espaço!

Comentários (4)

  1. Maria de Lourdes Novais machado
    25/08/2021 no 14:30 pm

    Muito interessante, realmente o esporte
    mudou e mudará a vida de muita gente.

    1. Eliane Alves do Nascimento
      06/09/2021 no 15:23 pm

      Esporte é vida,ele muda a vida das pessoas em bons e satisfatórios sentidos,trazendo e visando sempre o desempenho das pessoas melhorando a sua qualidade de vida…

  2. Márcia Costa
    31/08/2021 no 16:37 pm

    Não só a escola inclusiva mas o esporte também inclusivo , com certeza faz com que o cidadão desfrute dos ambientes aos quais possam proporcionar a socialização!!!!

  3. Andrea Ramos
    04/09/2021 no 08:50 am

    A inclusão tem que estar presente em todo contexto psicossocial, um passo importantíssimo é disseminar o conhecimento, uso a frase Conhecer para saber como Acolher.

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