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Jovem cadeirante faz entregas através de aplicativo para garantir renda na pandemia

Jovem cadeirante faz entregas através de aplicativo para garantir renda na pandemia

Caíque Palmas de Souza conta que percorre de cadeira de rodas 7km por dia no sistema de delivery

Pedido feito, comida retirada, mochila nas costas, velocidade na entrega. Este é o ciclo de trabalho de muitos entregadores de aplicativo, ainda mais nos últimos 12 meses com a pandemia do novo coronavírus. Caíque Palma de Souza, de 23 anos, é mais um entre eles, buscando no serviço de delivery o complemento financeiro para ajudar nas contas de casa.

O que diferencia o jovem dos outros colegas é o fato dele ser cadeirante. Caíque nasceu com malformação na coluna, chamada mielomeningocele, e precisa da cadeira de rodas para se locomover. Em entrevista ao portal UOL, ele conta que desde que se cadastrou no aplicativo, há pouco mais de um mês, faz jornadas de trabalho de pelo menos 10 horas e 7 km percorridos todos os dias pelas ruas de Paulínia, interior de São Paulo, cidade em que mora.

O retorno financeiro, não é grande, mas faz uma baita diferença no final do mês. Ainda segundo o UOL, ele tira cerca de R$150 por semana e o valor ajuda nos gastos domésticos que divide com a mãe, que atua como doméstica.

O delivery foi a solução para um problema que atinge quase todas as pessoas com deficiência: a dificuldade de inserção no mercado de trabalho.

Mercado de trabalho

Deste total, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2018, apenas 1% atua no mercado formal, com carteira assinada. Trazendo o cenário da pandemia para o centro da discussão, é provável que esta estatística seja ainda menor, considerando que a taxa média anual de desemprego do Brasil em 2020 foi de 13,5%. Ou seja, de todos os brasileiros, 13,4 milhões terminaram o ano desempregados –  a maior taxa de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), produzida pelo IBGE.

foto de quatro cadeirantes esperando para embarcar no ônibus
Conseguir uma vaga no mercado de trabalho ainda é um desafio para muitas pessoas com deficiência.
Crédito: Valter Campanato/ Arquivo Agência Brasil

Caíque compartilha à reportagem que desde os 18 anos entrega currículos, mas nunca conseguiu uma oportunidade.  “Já busquei emprego nos mais diversos setores, em empresas grandes, médias e pequenas, e está bem complicado conseguir um emprego”, comenta. Atualmente, ele é estudante universitário em um curso de Educação Física.

Lei de Cotas

Segundo a Lei de Cotas (Lei nº 8213/1991), empresas com 100 ou mais funcionários devem garantir de 2% e 5% de suas vagas a beneficiários reabilitados e pessoas com deficiência. A legislação é uma conquista que garante que essas pessoas exerçam uma profissão, desenvolvendo seus potenciais profissionais. Mas, os dados evidenciam que a porcentagem de contratados ainda está aquém do que poderia estar.


Caíque Palmas de Souza percorre cerca de 7km todos os dias para realizar as entregas por aplicativo
Crédito: arquivo pessoal

Diante deste cenário, o caminho que Caíque escolheu foi o mercado informal, atuando como prestador de serviço, sem vínculo trabalhista. Ele conta que no momento em que foi se cadastrar no aplicativo de delivery, por falta de opção, escolheu a categoria de entrega de bicicleta, mas usa sua própria cadeira de rodas como instrumento de trabalho e locomoção.

Com a falta de acessibilidade nas calçadas de Paulínia, o jeito que escolheu para garantir a entrega rápida foi dividindo espaço com os carros, mesmo com todos os riscos que a via pode apresentar. O jovem conta que foi paratleta velocista e a experiência no esporte garantiu a ele mais agilidade. 

“A entrega mais longe que fiz foi na distância de pouco mais de 4 km e demorei 12 minutos”, compartilhou Caíque Palmas de Souza, à reportagem do portal UOL

A história do Caíque comoveu um grupo de motoboys de sua cidade, que decidiu criar uma vaquinha virtual para arrecadar fundos para comprar um kit motorizado para adaptar a cadeira de rodas do entregador. Em menos de 10 dias a meta de R$12 mil foi alcançada. 

Grato com a iniciativa, ele conta que a expectativa agora é de aumentar as entregas e fazer R$150 por dia, ao invés de uma vez por semana. 

Como ajudar outras pessoas que precisam de uma cadeira de rodas

#nãoémito
Campanha #NãoÉMito arrecada lacres de alumínio que são revertidos para compra de cadeiras de roda. Crédito: divulgação/ Instituto Entre Rodas.

O Instituto Entre Roda arrecada lacres de latinhas de alumínio que são revertidos para a compra de cadeiras de rodas sob medida para crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos, através da campanha #NãoÉMito. A iniciativa visa a inclusão delas nas escolas regulares e nos espaços sociais em condição de igualdade.

Em função da pandemia, alguns centros de coleta de lacres estão fechados, mas, a instituição criou um canal de doação online, onde as pessoas podem escolher um valor mensal para contribuir. Para saber mais, clique aqui.


Alessandra Petraglia

Alessandra Petraglia
Jornalista, produtora de conteúdo multimídia e instrutora de yoga tentando gerar uma transformação positiva no mundo.

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